“O motorista no centro: como a busca por emoção redefine o mercado de carros de luxo”
O segmento de carros de luxo passa constantemente por transformações, seja por novas tecnologias, seja por mudanças no comportamento do consumidor. No entanto, um recente estudo da McKinsey & Company trouxe à tona uma percepção que parece resistir ao tempo: a principal motivação de compra nesse mercado é o prazer de dirigir.
Para 86% dos entrevistados, a experiência ao volante supera qualquer outro aspecto — seja design, acabamento, segurança, conectividade ou tradição da marca. Em plena era digital, na qual a automação cresce e os carros se tornam cada vez mais silenciosos e eletrificados, descobrir que a emoção continua sendo o elemento central é revelador.
Sensações que valem o investimento
Carros de luxo nunca foram apenas meios de transporte. Eles representam sensações: estabilidade em alta velocidade, conforto absoluto em longas viagens, respostas rápidas e precisas do motor, silêncio interno impecável e uma lista quase infinita de mimos tecnológicos.

Cada detalhe contribui para criar uma experiência que transforma o ato de dirigir em algo prazeroso, terapêutico e, para muitos, indispensável. Esse efeito emocional, segundo a McKinsey, explica a importância atribuída ao “prazer ao dirigir” pelos compradores.
Quem consome esse tipo de veículo
A pesquisa analisou mais de 150 consumidores globais com renda anual entre US$ 200 mil e US$ 1 milhão — um grupo pequeno, mas com alta capacidade de consumo. Esses compradores veem o carro como parte do estilo de vida, e não como um item utilitário.
Eles valorizam exclusividade, inovação e, sobretudo, distinção. Mas, curiosamente, isso não significa fidelidade.
Como o comprador pesquisa antes da compra
Os consumidores de luxo são extremamente informados. Antes de finalizar a compra, passam por um processo de pesquisa detalhado:
- consultam sites especializados para entender diferenças de motor e transmissão;
- assistem a vídeos com análises técnicas e testes de desempenho;
- comparam avaliações de jornalistas automotivos;
- participam de clubes e eventos presenciais para observar os carros ao vivo;
- consultam material oficial das montadoras.
Essas fontes representam cerca de 12,5% da jornada, mostrando que mesmo nesse setor tão exclusivo, a decisão é baseada em dados concretos.
Baixa fidelidade: o dado que surpreendeu o mercado
A McKinsey identificou que apenas 37% dos compradores de carros de luxo permanecem fiéis à marca. Isso significa que a cada nova compra, mais da metade está disposta a mudar.

Os números mostram que 35% consideram naturalmente essa troca, enquanto 28% têm grande probabilidade de migrar. Para as montadoras, esse é um desafio constante: conquistar um consumidor que exige muito e permanece apenas enquanto a marca entrega algo realmente superior.
Por que é tão difícil manter a fidelidade?
O cliente de luxo busca o extraordinário — não apenas o bom. Ele quer inovação contínua, performance aprimorada, novos designs e tecnologias inéditas. Quando uma marca deixa de surpreender, outra aparece pronta para oferecer algo mais emocionante.
E como as fabricantes premium competem intensamente, com atualizações frequentes e lançamentos agressivos, a troca de marca se torna algo natural. Fidelidade, nesse mercado, não é conquistada por tradição: é conquistada pela capacidade de entregar a melhor experiência de direção possível.
Conclusão
A pesquisa da McKinsey revela um mercado sofisticado, exigente e guiado por emoções. O prazer ao dirigir continua sendo o pilar fundamental do universo dos carros de luxo, apesar de toda a tecnologia embarcada e das mudanças no cenário automotivo global.
A baixa fidelidade às marcas mostra que o consumidor premium está sempre em busca da próxima grande experiência — e só permanece com quem mantém viva essa chama. Em um mundo que evolui rapidamente para carros cada vez mais automatizados, a emoção ao volante segue como o elemento que mantém o segmento vivo, competitivo e desejado.

