Salão do Automóvel de São Paulo: Uma Década de Legado, Vislumbres do Futuro e a Imortalidade dos Carros Clássicos na História Automotiva Brasileira
Como um veterano observador e entusiasta com uma década de imersão no cenário automotivo, posso afirmar sem hesitação que o Salão do Automóvel de São Paulo transcende a mera exposição de veículos. Ele é um pulsar vital, um ponto de encontro onde a rica tapeçaria da história automotiva brasileira se entrelaça com as aspirações do amanhã. Na edição de 2025, um evento que tive o privilégio de acompanhar de perto no vibrante Distrito Anhembi, na capital paulista, essa simbiose foi magnificamente encapsulada. Em particular, a presença do Carde, o recém-inaugurado museu de Campos do Jordão, não apenas elevou o patamar da mostra, mas também nos lembrou de uma verdade fundamental: carros não são apenas máquinas; são cápsulas do tempo, carregadas de memórias, progresso tecnológico e um indomável espírito de inovação.

O Carde, com sua proposta de narrar o Brasil através do automóvel, trouxe uma coleção de joias raras que serviram como pilares para esta reflexão. Mais do que exibir peças de colecionador, a intenção era clara: demonstrar como determinados modelos se tornaram ícones afetivos, moldando a percepção e a cultura de diferentes gerações de brasileiros. Em um mundo cada vez mais voltado para a eletrificação e a conectividade, a valorização desses carros clássicos brasileiros assume um papel ainda mais crucial, conectando-nos às raízes da nossa paixão por rodas. Esta perspectiva é especialmente relevante para aqueles que consideram o investimento em carros clássicos uma oportunidade única, ou para quem busca consultoria especializada para a aquisição de veículos antigos de luxo.
O Salão do Automóvel: Mais que uma Feira, um Cronista da Indústria
Desde suas primeiras edições, o Salão do Automóvel de São Paulo consolidou-se como o palco definitivo para a indústria automobilística nacional e internacional no Brasil. Ele não é apenas um local de lançamento de novos modelos ou de demonstração de tecnologias futuras; é um termômetro cultural e econômico. Cada edição reflete os ventos de mudança da economia, as tendências de design global e as nuances do consumidor brasileiro. Para um especialista como eu, o Salão oferece uma visão panorâmica inigualável sobre a direção que a engenharia automotiva está tomando e como as marcas estão se adaptando aos desafios da sustentabilidade e da transformação digital.
A curadoria de exposições como a do Carde dentro do Salão realça a importância de entender o passado para projetar o futuro. Ao lado de protótipos de veículos elétricos e conceitos de mobilidade autônoma, ver uma Kombi Turismo de 1960 ou um STV Uirapuru era um lembrete vívido de que a paixão por carros é atemporal. Essa dualidade, essa convivência harmoniosa entre o legado e a vanguarda, é o que confere ao Salão do Automóvel de São Paulo sua identidade única e seu poder de encantar um público tão diverso, desde o colecionador ávido por restauração de carros clássicos até o jovem fascinado por tecnologia de ponta. A busca por peças de carros clássicos para manter a originalidade desses ícones é um mercado vibrante que o Salão, indiretamente, também celebra.
Uma Jornada Pelas Décadas: Ícones que Definiram a História Automotiva Brasileira
Luiz Goshima, curador do Carde, orquestrou a seleção dos oito modelos expostos com maestria, mesclando clássicos nacionais, superesportivos e projetos experimentais. Cada carro não apenas contava sua própria história, mas também se ligava de forma intrínseca à trajetória do próprio Salão do Automóvel de São Paulo, evocando nostalgia e admiração. A expertise na seleção ressaltou a profundidade do acervo do museu e a paixão por preservar a memória automotiva.
Os Anos 60: O Despertar da Identidade e o Espírito Viajante
A jornada no estande do Carde se iniciava com a VW Kombi Turismo de 1960. Mais do que um veículo utilitário, essa versão se apresentava como um proto-motorhome, um símbolo do espírito aventureiro e das viagens em família. Com suas janelas panorâmicas e acabamento pensado para longas aventuras, ela traduzia a simplicidade e a funcionalidade de uma era em que o carro era, de fato, uma extensão da casa. No contexto da história automotiva brasileira, a Kombi representou a democratização do transporte e o início da exploração de paisagens nacionais, estabelecendo um vínculo emocional duradouro com o público. Sua crescente valorização de veículos antigos hoje reflete essa importância cultural.
Da mesma década, surgia o STV Uirapuru, um dos esportivos mais raros e vanguardistas já produzidos no Brasil. Apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo de 1966 em sua versão conversível, o Uirapuru, com seu design ousado e faróis retangulares, era uma clara manifestação da busca por uma identidade esportiva nacional. Com pouquíssimas unidades fabricadas – estima-se menos de 70 – e um número ainda menor de sobreviventes, ele é um testemunho da audácia e da criatividade da engenharia brasileira da época. Para colecionadores e entusiastas de carros esportivos brasileiros, o Uirapuru é um Santo Graal, representando um capítulo único na nossa evolução automotiva, um verdadeiro ícone de luxo automotivo nacional para a época.
Os Anos 70: A Era da Potência Bruta e do Design Arrojado
A transição para os anos 70 trouxe uma robustez inconfundível. O Dodge Charger R/T, estrela da edição de 1971 do Salão do Automóvel de São Paulo – a primeira realizada no então recém-inaugurado Pavilhão do Anhembi – dominava o espaço. Com seu motor V8 de 215 cv e visual agressivo, ele não era apenas um carro; era uma declaração de força e status. O Charger R/T consolidou-se como um dos maiores ícones da era dos muscle cars brasileiros, deixando uma legião de fãs apaixonados e estabelecendo um padrão para o que se entendia por performance automotiva no Brasil.
Na mesma década, a Volkswagen apresentava o VW SP2, um projeto 100% desenvolvido no Brasil que visava rivalizar com o Puma. Com um perfil baixo e linhas marcantes, o SP2, embora com uma produção de pouco menos de quatro anos, rapidamente se tornou um carro cultuado, tanto dentro quanto fora do país. Seu design elegante e atemporal, combinado com a singularidade de ser um esportivo genuinamente brasileiro, garante seu lugar de destaque na história automotiva brasileira. A raridade e o design diferenciado fazem do SP2 um alvo cobiçado no mercado de leilão de carros de luxo e clássicos, demandando manutenção de veículos históricos especializada.
Os Anos 80: A Inovação Tecnológica e a Ousadia Protótipo
Os anos 80 foram marcados por uma efervescência tecnológica e uma ousadia no design, e o Salão do Automóvel de São Paulo foi o palco perfeito para essas manifestações. O Volkswagen Gol GTI, revelado em 1988, foi um marco: o primeiro carro nacional com injeção eletrônica. Na icônica cor Azul Mônaco, este esportivo simbolizou a transição tecnológica da indústria brasileira, inaugurando uma nova fase de desempenho e eficiência. O Gol GTI não era apenas um carro rápido; era a representação da modernidade acessível, um divisor de águas que redefiniu o conceito de carro esportivo para uma geração inteira de motoristas, impulsionando a tecnologia automotiva nacional.

O Carde também trouxe outro representante da ousadia brasileira: o Hofstetter. Este protótipo, apresentado em 1984, é considerado um dos projetos mais impressionantes e vanguardistas já feitos no país. Com uma carroceria de fibra de vidro, motor Cosworth central e portas do tipo asa de gaivota, o Hofstetter de estética futurista, com apenas 99 cm de altura, incorporava ideias inspiradas nos grandes estúdios europeus da época. Sua produção artesanal resultou em apenas 18 unidades concluídas, tornando-o uma peça de engenharia de alta performance e design exclusivo, um verdadeiro precursor da sustentabilidade na indústria automotiva por sua leveza.
Os Anos 90: O Mundo Chega ao Brasil e a Era dos Supercarros
Com a abertura das importações nos anos 90, o Salão do Automóvel de São Paulo transformou-se radicalmente, passando a receber máquinas que antes só podiam ser admiradas em revistas especializadas. A mostra se tornou uma janela para o mundo automotivo de alta performance e exclusividade.
Uma das estrelas dessa nova era foi a Ferrari F40. Apresentada inicialmente em 1987 e celebrada como um marco da engenharia italiana, sua aparição no Brasil era um evento por si só. Seu motor V8 biturbo de 478 cv e a velocidade máxima de 324 km/h construíram sua aura de supercarro definitivo. A F40 não era apenas um carro rápido; era uma obra de arte da performance, um símbolo de status e um objeto de desejo que redefiniu o que se esperava de um carro esportivo premium. Para muitos, o contato com um modelo assim no Salão do Automóvel SP foi a primeira e inesquecível experiência com o ápice do luxo automotivo.
Fechando o percurso histórico, o Carde levou ao Anhembi o Jaguar XJ220, exibido no Salão de 1994. Com seu motor V6 biturbo central e 550 cv, o XJ220 havia sido o carro de produção mais rápido do mundo em 1992, atingindo 340 km/h. Com cerca de 280 unidades produzidas globalmente, sua exclusividade é inquestionável. A presença desses supercarros no Salão do Automóvel de São Paulo nos anos 90 não apenas deslumbrou o público, mas também catalisou um novo mercado para colecionadores de carros e entusiastas de alta performance no Brasil, solidificando o evento como um hub para o que há de mais exclusivo no mundo automotivo. A avaliação de carros antigos dessa envergadura exige uma expertise sem igual, dado o potencial de investimento em carros de luxo.
O Carde: Curando Memórias, Preservando o Legado Automotivo Brasileiro
Localizado em meio à paisagem deslumbrante de araucárias em Campos do Jordão, o Carde foi inaugurado em novembro de 2024 com uma missão clara e ambiciosa: contar a história do Brasil a partir do automóvel. A proposta do museu vai muito além da simples exposição de veículos antigos. Ele utiliza os carros como peças centrais para narrar as transformações culturais, tecnológicas e sociais do século XX e XXI.
O museu, vinculado à Fundação Lia Maria Aguiar, é um exemplo notável de como a cultura automotiva pode se integrar a iniciativas mais amplas nas áreas de educação, cultura e saúde. Ter ultrapassado 90 mil visitantes em seu primeiro ano de funcionamento é um testemunho eloquente de seu sucesso e da ressonância de sua proposta. Em uma era onde a mobilidade urbana está em constante redefinição, o Carde nos oferece uma âncora histórica, um local para apreciar o design, a engenharia e o impacto social dos veículos que moldaram nosso país. Para quem busca um museu de carros em Campos do Jordão que oferece mais do que apenas carros, mas uma narrativa rica e envolvente, o Carde é uma parada obrigatória. As exposições de carros clássicos em São Paulo e regiões próximas ganham um novo patamar de excelência com a atuação do Carde.
O Legado e a Projeção para 2025 e Além: A Relevância Contínua do Salão e dos Clássicos
O Salão do Automóvel de São Paulo em 2025, ao integrar a mostra do Carde, reforçou que o futuro da indústria automotiva, com suas promessas de eletrificação, condução autônoma e conectividade, não se constrói sem um profundo respeito pelo passado. Os carros clássicos brasileiros e os superesportivos que adornaram o estande do museu não são apenas relíquias; são os alicerces sobre os quais a inovação de hoje se apoia. O design arrojado do Uirapuru, a injeção eletrônica do Gol GTI e a performance da F40 e do XJ220 foram passos essenciais na jornada da engenharia automotiva que culmina nos veículos altamente sofisticados que vemos nas ruas hoje.
Em um mercado que valoriza cada vez mais a experiência e a narrativa, a presença de modelos históricos no Salão do Automóvel de São Paulo é um contraponto essencial à avalanche de novidades digitais. Eles nos lembram do fator humano na criação automotiva – a paixão, a visão, o trabalho artesanal. Para os colecionadores de carros e investidores, a estabilidade e a crescente valorização de carros antigos representam uma segurança em tempos de incerteza econômica, tornando o seguro de carros de coleção um item essencial para a proteção desses ativos.
Ainda que a atenção esteja voltada para a próxima geração de veículos, a história nos ensina que o fascínio pelo automóvel é perene. Eventos como o Salão do Automóvel de São Paulo e instituições como o Carde garantem que essa paixão continue a ser nutrida, conectando gerações e celebrando a extraordinária jornada do automóvel na vida e na cultura brasileira. As lojas de carros clássicos no Brasil e as concessionárias de carros antigos São Paulo continuam a prosperar, impulsionadas por esse fervor atemporal.
A história automotiva brasileira é um mosaico vibrante, repleto de inovação, paixão e marcos inesquecíveis. O Salão do Automóvel de São Paulo, em parceria com instituições como o Carde, oferece uma oportunidade singular de reviver essa jornada, celebrar o presente e vislumbrar o futuro. Se você se sente inspirado por essa rica herança e deseja aprofundar seu conhecimento, ou está considerando seu próximo investimento em carros clássicos, convido-o a explorar os acervos do Carde, a participar das próximas edições do Salão, ou a buscar uma consultoria especializada para guiar sua paixão. O universo dos automóveis clássicos espera por você, pronto para revelar novas histórias e oportunidades.

