A Ascensão Estratégica da Omoda & Jaecoo no Brasil: Um Olhar de Especialista sobre a Disputa Fabril e a Revolução Elétrica Acessível
Como um veterano com mais de uma década de imersão profunda na efervescente indústria automotiva, tenho acompanhado de perto as transformações sísmicas que redefinem o cenário global. O Brasil, um mercado de proporções continentais e complexidades singulares, permanece no epicentro dessas mudanças, atraindo olhares de gigantes que buscam consolidar sua presença. Neste contexto dinâmico, a chegada e os planos ambiciosos da Omoda & Jaecoo Brasil, braços do conglomerado Chery, representam um dos movimentos mais estratégicos e aguardados da próxima década. A iminente decisão sobre a localização de sua fábrica automotiva no Brasil, somada à promessa de veículos elétricos “baratos” e uma robusta linha de SUVs híbridos, não é apenas uma notícia; é um prenúncio de reconfiguração de poder no setor.
Ainda que a data de 14 de dezembro de 2025 possa parecer distante para alguns, para nós, que operamos no ritmo de ciclos de produto e investimentos de longo prazo, é o amanhã. A informação de que Santa Catarina, Paraná e São Paulo disputam intensamente o privilégio de sediar a nova planta fabril da Omoda & Jaecoo Brasil ecoa por todos os corredores da indústria. Não se trata apenas de uma unidade de produção; é um polo de inovação, empregos e desenvolvimento que promete injetar vitalidade em um dos estados escolhidos. Minha análise se aprofunda nos fatores críticos que influenciarão essa decisão monumental e no impacto que a montadora chinesa pretende causar no mercado brasileiro, particularmente no segmento de veículos eletrificados.
A Estratégia Global da Chery e o Posicionamento da Omoda & Jaecoo no Brasil
Para compreender a magnitude do que está por vir, é fundamental contextualizar a estratégia global da Chery. A empresa chinesa, uma das mais antigas e renomadas do seu país, não está apenas vendendo carros; ela está construindo um império de marcas com identidades distintas para diferentes mercados e perfis de consumidores. Omoda e Jaecoo emergem como as pontas de lança dessa ofensiva global, focadas em oferecer tecnologia de ponta, design arrojado e, crucialmente, um excelente custo-benefício.

A Omoda & Jaecoo Brasil já demonstrou sua capacidade de penetração. Desde abril de 2025, quando iniciou suas operações por aqui, a empresa já comercializou mais de 5.200 veículos, um número expressivo que valida sua estratégia inicial de importação e validação de mercado. Esse volume, impulsionado em grande parte pelo sucesso do Omoda 5, evidencia uma demanda reprimida por veículos com as características que a marca oferece: tecnologia avançada, segurança e um design que ressoa com o consumidor brasileiro moderno. O portfólio inicial, com o híbrido Jaecoo J7 e o elétrico Omoda 5, foi apenas o aperitivo de uma ofensiva muito maior.
A decisão de investir em uma fábrica automotiva no Brasil a partir de 2027 não é acidental. Ela reflete uma visão de longo prazo, onde a produção local se torna um pilar essencial para a competitividade, mitigando riscos cambiais, otimizando a logística e, crucialmente, permitindo a personalização de produtos para as especificidades do mercado nacional. A experiência do grupo Chery com a Caoa no Brasil, apesar de seus altos e baixos, pavimentou o caminho para essa nova fase de investimento direto e mais autônomo por parte de suas novas submarcas.
A Disputa Fabril: Santa Catarina, Paraná e São Paulo sob a Lupa de um Especialista
A escolha do local para uma fábrica Omoda Jaecoo Brasil é um processo complexo, que transcende a mera disponibilidade de terreno. Minha experiência me ensina que fatores como o ecossistema automotivo existente, a infraestrutura logística, o perfil da mão de obra, as relações sindicais e os incentivos fiscais são decisivos. Os três estados em pauta – Santa Catarina, Paraná e São Paulo – apresentam argumentos robustos.
Paraná: Este estado se consolidou como o segundo maior parque fabril do país, abrigando montadoras de peso como Volkswagen, Audi, Renault, DAF e Volvo, além da própria Geely. Este cenário não é apenas uma coleção de nomes; é um “ecossistema automotivo” vibrante. O Paraná oferece uma cadeia de fornecedores estabelecida, com empresas de autopeças e serviços que já atendem a grandes players. Isso significa que a Omoda & Jaecoo Brasil teria acesso mais facilitado a componentes, logística otimizada e um pool de talentos já familiarizado com a indústria automotiva. A presença de sindicatos considerados mais “amigáveis” – um termo que no jargão industrial significa cooperativos e pragmáticos nas negociações – é um atrativo significativo para qualquer novo investimento industrial, reduzindo riscos de interrupções e otimizando a eficiência operacional. Para um player que busca rapidez e assertividade na implementação, o Paraná se apresenta como um ambiente de baixo atrito para a produção de veículos no Brasil.
Santa Catarina: Embora de menor porte em termos de volume automotivo comparado ao Paraná, Santa Catarina não pode ser subestimada. O sucesso da BMW em Araquari, que produziu mais de 110 mil veículos, demonstra a capacidade do estado em abrigar operações de manufatura de alta complexidade e qualidade. A reputação de “sindicatos amigáveis” também é um ponto forte aqui, indicando um ambiente laboral propício à produtividade. Além disso, a infraestrutura portuária e logística catarinense é de excelente qualidade, facilitando a importação de componentes e a exportação de veículos prontos, caso a fábrica Omoda Jaecoo Brasil venha a ter um escopo exportador futuro. O estado também tem histórico de oferecer incentivos fiscais competitivos para atrair novos investimentos, tornando-se uma opção atraente para a montadora chinesa.
São Paulo (Jacareí): A possibilidade de reativar a linha de produção de Jacareí (SP), atualmente desativada desde 2022 e de propriedade compartilhada com a Caoa, é uma faca de dois gumes. Por um lado, a existência de uma infraestrutura fabril pré-existente poderia acelerar o tempo de entrada em operação (time-to-market), um fator crítico na corrida por participação no mercado. Seria um investimento de capital menor inicialmente, pois a estrutura básica já estaria ali. Por outro lado, a complexidade da propriedade compartilhada com a Caoa, detentora de 51% da unidade, levanta questões sobre autonomia de gestão, potenciais conflitos de interesse e a necessidade de renegociar ou redefinir a parceria. Para a Omoda & Jaecoo Brasil, que busca estabelecer sua própria identidade e estratégia no país, a liberdade de operação é fundamental. A região de São Paulo, embora seja o maior polo econômico do Brasil, também apresenta custos operacionais mais elevados e um ambiente sindical historicamente mais ativo. No entanto, a proximidade com o maior mercado consumidor e a vasta rede de fornecedores ainda a mantém no radar.
Do ponto de vista de um especialista, a escolha provavelmente recairá sobre o estado que oferecer a melhor combinação de ambiente produtivo (mão de obra, fornecedores), incentivos fiscais, infraestrutura e menor complexidade operacional. O Paraná e Santa Catarina, com seus “ecossistemas automotivos” e ambientes de negociação sindical mais fluidos, parecem ter uma vantagem marginal neste momento. A busca por eficiência operacional em fábrica e a redução de riscos são prioridades para um investimento dessa magnitude.
A Ofensiva de Produtos: Híbridos, Elétricos e a Promessa do Carro Acessível
A estratégia de produto da Omoda & Jaecoo Brasil é tão audaciosa quanto seus planos de manufatura. A empresa reconhece que o futuro da mobilidade é eletrificado, mas entende as nuances do mercado brasileiro, onde a infraestrutura de recarga ainda é um desafio e o custo inicial dos elétricos é uma barreira. Por isso, a aposta em híbridos flex, que combinam a eficiência dos motores elétricos com a versatilidade do etanol e da gasolina, é um movimento inteligente e estratégico para a expansão de montadoras no país.
Os lançamentos futuros, como o SUV compacto Omoda 4 – que chegará em outubro de 2026 para competir com modelos como Tera e Pulse – mostram a intenção de atacar segmentos de volume. Mas a grande cartada, a ser apresentada no Salão de Pequim em abril, é um carro elétrico compacto. O objetivo é competir diretamente com modelos já estabelecidos como o Geely EX2 e, mais notavelmente, o BYD Dolphin Mini, que tem sido um disruptor no segmento de carros elétricos baratos no Brasil. Entrar nesse mercado em 2027, embora “com certo atraso ante à concorrência”, é crucial. O volume de vendas e a penetração de veículos elétricos urbanos crescem exponencialmente, e a Omoda & Jaecoo Brasil precisa estar presente para capturar essa onda.
O portfólio em crescimento é impressionante:
Jaecoo J7 (Híbrido): Um dos modelos de largada, posicionado para clientes que buscam tecnologia e robustez.
Omoda 5 (Elétrico e Híbrido HEV): O “carro de referência” da marca, responsável por 50% das vendas. Com seu preço competitivo (R$ 159,9 mil na versão HEV) e a oferta em três versões, incluindo a 100% elétrica, ele personifica a filosofia de “leve mais e pague menos”. Este modelo é central para a estratégia da Omoda & Jaecoo Brasil.

Omoda 7 (Híbrido Plug-in): Um passo adiante na eletrificação, oferecendo maior autonomia elétrica e a conveniência de recarga externa.
Jaecoo 5 (Híbrido Pleno): Com a mesma tecnologia do Toyota Corolla Cross, dispensa a tomada para carregar a bateria, uma solução prática para o consumidor brasileiro que busca eficiência sem a “ansiedade de autonomia”.
Jaecoo 8 e Jaecoo 5 (SUVs): Anunciados no Salão do Automóvel de São Paulo, reforçam a aposta em SUVs, segmento de maior crescimento no país.
A inclusão de motores flex a combustão no futuro modelo de entrada da companhia é um reconhecimento pragmático das realidades do mercado. Mesmo com o avanço da eletrificação, o motor flex ainda será um motor de vendas por muitos anos no Brasil, especialmente para veículos de entrada. A capacidade da Omoda & Jaecoo Brasil de oferecer essa flexibilidade em seu portfólio será um diferencial.
Liderança e Expansão: Os Desafios à Frente para a Omoda & Jaecoo
A chegada de Roger Corassa, ex-Volkswagen, como vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo Brasil é um indicativo claro da seriedade com que a empresa encara o mercado brasileiro. Um executivo com sua bagagem e conhecimento do mercado nacional é um ativo inestimável para navegar os desafios que se apresentam. Sua missão é ambiciosa: dobrar o número de vendas, nomear novos revendedores e transformar 2026 – um ano de Copa do Mundo e eleições, com menos dias úteis – em um ano de expansão.
A expansão da rede de concessionárias é vital. No Brasil, o sucesso de uma marca não se mede apenas pela qualidade do produto, mas pela capilaridade e pela qualidade do pós-venda. A experiência do cliente, desde o test drive até a manutenção do veículo, será um fator-chave para a construção de confiança e lealdade à marca. A Omoda & Jaecoo Brasil precisará investir pesado em treinamento, peças de reposição e uma estrutura de atendimento que satisfaça as expectativas de um consumidor cada vez mais exigente.
O contexto macroeconômico também importa. A previsão da indústria de um crescimento de 3% em relação a 2025, apesar da redução de dias úteis em 2026, mostra um otimismo cauteloso. Para a Omoda & Jaecoo Brasil, esse crescimento significa um terreno fértil para capturar market share, mas também uma competição acirrada. O mercado de veículos elétricos no Brasil está fervilhando, com novos players e modelos chegando a cada trimestre. A capacidade de inovar, adaptar-se e reagir rapidamente às mudanças será fundamental.
Impacto Econômico e o Futuro da Mobilidade no Brasil
A instalação de uma fábrica automotiva no Brasil pela Omoda & Jaecoo Brasil terá um impacto econômico multifacetado. Primeiramente, a criação direta e indireta de milhares de empregos, desde o chão de fábrica até a cadeia de suprimentos e serviços. Em segundo lugar, o impulso ao desenvolvimento tecnológico e à inovação local, com a possível transferência de know-how e a exigência de maior qualificação da mão de obra. Em terceiro lugar, o fortalecimento da balança comercial brasileira, seja pela substituição de importações ou pela futura exportação de veículos produzidos no país.
Do ponto de vista da mobilidade, a entrada agressiva da Omoda & Jaecoo Brasil no segmento de híbridos e elétricos acessíveis pode acelerar a transição energética no país. Ao oferecer opções mais viáveis e com menor custo de posse, a marca democratiza o acesso a tecnologias mais limpas, contribuindo para a redução da pegada de carbono e incentivando a construção de uma infraestrutura de recarga mais robusta. A otimização da cadeia de suprimentos automotiva e a fabricação de veículos elétricos de forma competitiva são desafios que, uma vez superados, posicionarão a marca como um player de peso na indústria automotiva brasileira.
No entanto, a jornada não será isenta de desafios. A volatilidade econômica, as flutuações cambiais, a complexidade regulatória e a concorrência feroz exigirão resiliência e adaptabilidade. A capacidade de construir uma marca forte, sinônimo de confiança e inovação, será tão importante quanto a eficiência de sua linha de produção.
Conclusão: Um Novo Capítulo para a Indústria Automotiva Brasileira
A chegada e a consolidação da Omoda & Jaecoo Brasil representam um marco significativo na evolução da indústria automotiva nacional. A decisão sobre a localização da fábrica automotiva no Brasil é muito mais do que uma escolha logística; é uma declaração de intenções que definirá a trajetória da marca no país. Seja em Santa Catarina, Paraná ou São Paulo, o impacto de um investimento dessa magnitude será sentido em toda a cadeia produtiva, impulsionando a inovação e gerando prosperidade.
Com um portfólio robusto de SUVs híbridos e elétricos, e a promessa de democratizar o acesso à tecnologia limpa, a Omoda & Jaecoo Brasil está posicionada para ser um dos principais catalisadores da transição energética e da modernização do setor. O mercado de carros elétricos baratos Brasil está maduro para essa disrupção, e a empresa chinesa tem todos os ingredientes para ser um dos grandes vencedores.
O futuro da mobilidade no Brasil está sendo escrito agora, e a Omoda & Jaecoo Brasil está segurando uma caneta com tinta eletrificada. Para entender mais a fundo como esses movimentos impactarão seu negócio ou sua próxima compra de veículo, e para se manter atualizado sobre as mais recentes tendências e soluções de manufatura avançada no setor automotivo, convidamos você a entrar em contato com nossa equipe de especialistas. Estamos prontos para oferecer insights aprofundados e análises estratégicas que podem guiar suas decisões neste cenário em constante transformação.

