Salão do Automóvel 2025: O Legado Perene do Passado Moldando o Futuro Automotivo Brasileiro
Como um veterano da indústria automobilística com mais de uma década de experiência, testemunhei de perto a evolução frenética deste setor. O cenário automotivo é um ecossistema dinâmico, onde a inovação se encontra com a tradição, e a cada novo ciclo de lançamentos e tendências, somos lembrados da rica tapeçaria que nos trouxe até aqui. A edição de 2025 do Salão do Automóvel de São Paulo, realizada no emblemático Distrito Anhembi, serviu como um poderoso catalisador para essa reflexão, provando mais uma vez que o futuro é melhor compreendido quando se honra o passado.
Este evento, que sempre foi muito mais do que uma mera exposição de veículos, transcende a simples mostra de metal e engenharia. Ele é um espelho da nossa cultura, das aspirações de uma nação, e um palco onde as máquinas se transformam em ícones. Em 2025, essa dualidade foi magnificamente explorada pela presença do Carde, o recém-inaugurado Museu de Carros Antigos em Campos do Jordão. Ao trazer uma seleção de suas joias para o Salão do Automóvel, o Carde não apenas exibiu carros raros; ele ofereceu uma aula de história automotiva nacional, conectando gerações e despertando memórias afetivas profundas.
O Carde: Curadoria da Memória Automotiva no Salão do Automóvel
A curadoria de Luiz Goshima, uma figura que respeito imensamente no universo do colecionismo, foi impecável. Ele conseguiu o que muitos museus almejam: fazer com que cada veículo contasse uma história, tecesse um enredo. Sua seleção para o Salão do Automóvel de 2025 foi um verdadeiro mergulho na alma do automóvel brasileiro, misturando clássicos nacionais, protótipos experimentais e superesportivos que, de alguma forma, tiveram sua glória ou seu primeiro contato com o público justamente em edições passadas do próprio Salão do Automóvel.

O Carde, situado em uma área de preservação em Campos do Jordão, não é apenas um repositório de veículos. É um centro cultural que utiliza o automóvel como lente para narrar as transformações sociais, tecnológicas e econômicas do Brasil ao longo do século XX. Sua participação no Salão do Automóvel não foi apenas uma estratégia de marketing; foi uma declaração sobre a importância da memória e do legado. Para quem busca investimento em carros clássicos ou mesmo consultoria automotiva de luxo, compreender essa linha do tempo é fundamental.
Decolando para o Passado: Os Anos 60 e o Espírito Aventureiro
A jornada cronológica proposta pelo Carde no Salão do Automóvel se iniciou com a Kombi Turismo de 1960. Mais do que um utilitário, essa versão motorhome encapsulava o espírito da viagem em família, um tempo em que o carro era uma extensão do lar, um refúgio móvel para aventuras. Suas janelas panorâmicas e acabamento pensado para longas estradas ressoam com uma simplicidade que hoje nos parece quase utópica, mas que definiu uma era. É uma prova irrefutável de como o Salão do Automóvel sempre abrigou o sonho de liberdade sobre rodas.
Dessa mesma década, emergiu o STV Uirapuru, um dos esportivos mais raros e vanguardistas já produzidos em solo brasileiro. Apresentado em versão conversível no Salão do Automóvel de 1966, ele teve uma produção extremamente limitada, tornando-o um exemplar cobiçado por colecionadores. Seu design ousado, com faróis retangulares, já sinalizava uma busca por identidade em um período de experimentação para a jovem indústria nacional. Era a ousadia brasileira tentando se firmar, e o Salão do Automóvel era o palco ideal para essa audácia. Para quem se interessa por restauração de automóveis históricos, o Uirapuru é um desafio e um tesouro.
A Força dos Anos 70: Muscle Cars e a Gênese do Anhembi
A transição para os anos 1970 trouxe uma injeção de robustez e imponência com o Dodge Charger R/T. Este monstro, estrela da edição de 1971 do Salão do Automóvel – a primeira no recém-inaugurado Pavilhão do Anhembi – marcou a era dos muscle cars brasileiros. Com seu V8 de 215 cv e um visual agressivo que irradiava poder, o Charger R/T consolidou-se como um ícone de performance e virilidade. A avaliação de carros antigos dessa envergadura sempre revela um valor intrínseco que vai além da cotação de mercado.
Ainda naquela década, a Volkswagen surpreendeu com o SP2, um projeto 100% desenvolvido no Brasil, nascido para rivalizar com o Puma. Com um perfil baixo e linhas marcantes, o SP2 rapidamente conquistou status de cult, tanto nacional quanto internacionalmente, apesar de sua produção ter durado menos de quatro anos. Sua estética clean e sua proposta esportiva demonstram a capacidade da indústria local de criar designs originais e desejáveis, consolidando a importância do Salão do Automóvel São Paulo como plataforma de lançamento. Para os entusiastas de veículos raros, o SP2 é um capítulo à parte na história da engenharia automotiva brasileira.
Os Anos 80: Tecnologia e Ousadia Protótipo no Salão do Automóvel
Os anos 1980 foram um período efervescente de inovações e de uma paixão automotiva crescente. No Salão do Automóvel de 1988, um modelo roubou a cena: o Volkswagen Gol GTI. Em sua icônica cor Azul Mônaco, este esportivo não era apenas rápido; ele era o primeiro carro nacional a ostentar injeção eletrônica, simbolizando a transição tecnológica da época e inaugurando uma nova era para a indústria. O GTI representou a democratização da performance e a busca por excelência que o Salão do Automóvel sempre incentivou. É um exemplo clássico de como o aprimoramento contínuo impacta o mercado automotivo.
Mas a ousadia não parou por aí. O Carde também exibiu o Hofstetter, um protótipo futurista apresentado no Salão do Automóvel de 1984. Com carroceria de fibra de vidro, motor Cosworth central e as espetaculares portas tipo asa de gaivota, o Hofstetter era uma visão de outro mundo. Com apenas 99 cm de altura, ele incorporava ideias inspiradas nos grandes estúdios europeus, sendo um dos projetos mais impressionantes e ambiciosos já concebidos no país. Apenas 18 unidades foram artesanalmente concluídas, o que o torna um dos mais exclusivos carros clássicos brasileiros. Para especialistas em seguro para carros especiais, modelos como este exigem expertise apurada.
A Abertura das Importações e os Anos 90 no Salão do Automóvel
A década de 1990 representou um divisor de águas. Com a abertura das importações, o Salão do Automóvel transformou-se radicalmente, passando a receber máquinas que antes só podiam ser admiradas em revistas estrangeiras. Foi o ingresso do Brasil no panteão dos supercarros.

A Ferrari F40, apresentada globalmente em 1987, mas com sua presença no Brasil ganhando força na década seguinte, era um marco da engenharia italiana. Seu motor V8 biturbo de 478 cv e a velocidade máxima de 324 km/h construíram uma aura de supercarro definitivo, um sonho de consumo que adornava paredes de adolescentes e garagens de colecionadores. Trazer um exemplar como este para o Salão do Automóvel em 2025 foi um lembrete contundente do impacto que a liberdade de mercado teve na percepção e no desejo por automóveis no Brasil. É um dos pilares do mercado de luxo automotivo.
Fechando essa viagem histórica, o Carde trouxe o Jaguar XJ220, exibido no Salão do Automóvel de 1994. Com seu motor V6 biturbo central e 550 cv, este modelo chegou a ser o carro de produção mais rápido do mundo em 1992, atingindo estonteantes 340 km/h. Com cerca de 280 unidades produzidas, sua exclusividade é inquestionável. Ver essas máquinas no Salão do Automóvel de 2025 foi uma ponte entre a euforia do passado e as discussões contemporâneas sobre tecnologia automotiva premium e performance extrema. Para quem participa de leilão de carros raros, essas são as estrelas que ditam os maiores lances.
O Legado e o Futuro: Reflexões Pós-Salão do Automóvel 2025
A presença do Carde no Salão do Automóvel de 2025 foi mais do que uma retrospectiva; foi uma lição sobre a resiliência e a paixão da indústria. Como especialista, observo que a capacidade de revisitar esses ícones nos dá perspectiva sobre as tendências atuais e futuras. Enquanto discutimos a sustentabilidade automotiva, a eletrificação e a condução autônoma para os próximos anos, é essencial lembrar a engenhosidade e o design que nos trouxeram até aqui. A eletrificação de clássicos é uma tendência crescente, por exemplo, que une o melhor de dois mundos.
O Salão do Automóvel continuará sendo o termômetro das inovações, mas também o guardião das memórias. O Carde, ao cumprir sua missão de contar a história do Brasil através do automóvel, desempenha um papel crucial na educação e na preservação cultural. Já ultrapassando 90 mil visitantes em seu primeiro ano, ele demonstra que o interesse pelo patrimônio automotivo é vibrante.
Para os que, como eu, veem nos carros mais do que simples meios de transporte – para aqueles que os percebem como arte, história e engenharia – o Salão do Automóvel de 2025, com a parceria do Carde, reforçou a ideia de que o futuro é construído sobre os ombros de gigantes.
Se a paixão pela história automotiva, a busca por veículos raros ou o desejo de compreender as raízes do design e da engenharia automotiva brasileira ressoam com você, convido-o a ir além desta leitura. Explore o legado, visite o Museu Carde em Campos do Jordão e mergulhe no universo fascinante que o Salão do Automóvel anualmente celebra. Deixe-se inspirar pelas máquinas que moldaram gerações e que continuam a nos impulsionar rumo ao futuro.

