Levante: A Reinvenção da Maserati em Formato de SUV
Já testamos o Maserati Levante — o primeiro SUV da marca — e ele responde a um dilema inevitável: fabricantes de esportivos precisam de SUVs para financiar seus modelos emblemáticos. A Maserati, como outras marcas de luxo, precisou trilhar esse caminho.
Quando SUVs surgem em marcas esportivas, costumo esperar o mínimo. Criar um utilitário é fácil; criar um Maserati alto é outra história. E o Levante parece ter sido desenvolvido justamente para calar a pergunta constante: “por que insistir em SUV?”
Assim, levei o Levante para a montanha mais desafiadora de Monterey. A primeira curva bastou para provar sua essência: reduções rápidas, motor Ferrari gritando com força, interior luxuoso invadido pela sinfonia mecânica, e o SUV dominando o traçado como um sedã. Ele ignora mudanças de elevação e curvas fechadas — impressionante para algo tão alto.

Estradas como essa são palco de supercarros, mas também perfeitas para revelar se o Levante é apenas um SUV fantasiado de Maserati. Bastaram algumas curvas para confirmar: ele é genuíno. Um Maserati legítimo.
A cintura alta confere presença e faz espectadores duvidarem se ele está mais próximo do Macan ou do Cayenne (é do porte do Cayenne). O momento não poderia ser mais simbólico: o mercado mudou desde o Kubang, e agora a briga está em quem consegue transmitir identidade em um carro mais alto.
Fiel à tradição de nomes derivados de ventos, o Levante homenageia um vento mediterrâneo — um toque tradicional em um produto radicalmente novo. A colaboração histórica com Daimler Chrysler pode incomodar alguns compradores, mas o tridente imenso é garantia de autenticidade italiana.
Na estética, há ecos de Cayenne e Ghibli, e isso explica sua postura mais esportiva que aventureira. Ele não só tem aparência semelhante à de um Porsche: a sensação ao entrar no carro também lembra a de um sedã esportivo. A capacidade do porta-malas é menor que a de alguns rivais, mas irrelevante para seu público.

O design externo revela superfícies elegantes; o interior, costuras meticulosas e materiais refinados. Elementos vindos da Chrysler não comprometem a sensação premium. O multimídia é excelente, embora os controles de condução pareçam complexos demais.
Sob o capô, o V6 3.0 biturbo entrega 345 ou 424 cv. As acelerações são rápidas, com trocas firmes e ronco agressivo. Em descidas onduladas, o peso aparece, mesmo nos modos mais esportivos. A suspensão pneumática firme não transforma o Levante em um carro leve, mas garante estabilidade.
No uso cotidiano, a história muda: direção hidráulica comunicativa, comportamento sólido e conforto em modo I.C.E. tornam o Levante surpreendentemente civilizado.
Depois de um tempo, ele conquista: é um supercarro disfarçado de SUV. Os entusiastas têm bons motivos para celebrar.
Seu único dilema é a concorrência: Jaguar F-Pace oferece proposta semelhante por preço muito inferior. Mas o mundo Maserati funciona em outra esfera — a da paixão.
Se busca um SUV esportivo com charme italiano, presença e alma de superesportivo, o Levante é candidato obrigatório.

