O Complexo Cenário do Ford Everest no Brasil: Uma Análise Estratégica para o Mercado de 2025
A indústria automotiva, um verdadeiro tabuleiro de xadrez global, está em constante mutação. Minha experiência de uma década observando e analisando as estratégias das grandes montadoras na América do Sul me permite afirmar que cada decisão, por menor que pareça, é fruto de uma intrincada teia de fatores econômicos, regulatórios e de mercado. Um exemplo cristalino dessa complexidade é a saga do Ford Everest no Brasil, um SUV de sete lugares que se tornou quase um ícone de esperança para os entusiastas da marca no país. A confirmação da chegada, apesar da desistência de produção regional, revela muito sobre o futuro da Ford e o dinamismo do nosso mercado.
A Reviravolta da Produção Regional: Argentina e a Realidade Fiscal
Originalmente, existia um plano estratégico para que o Ford Everest no Brasil fosse produzido na fábrica de General Pacheco, na Argentina, compartilhando a linha de montagem com sua irmã picape, a Ranger. Essa sinergia industrial faria todo o sentido sob uma ótica de otimização de custos e logística. No entanto, a declaração de Martín Galdeano, CEO da Ford na América do Sul, para a Autoesporte, foi categórica: a produção local na Argentina se tornou inviável. A razão? A elevada carga tributária e os custos de produção, que ele classificou como proibitivos, inviabilizando qualquer competitividade.
É crucial entender que a decisão de não fabricar o Everest na Argentina não é um capricho, mas uma fria análise de viabilidade econômica. Em um mercado tão sensível a preços como o brasileiro, cada ponto percentual de imposto ou custo de insumo pode determinar o sucesso ou fracasso de um produto. A alternativa encontrada, a importação da Tailândia, um país com acordos comerciais mais favoráveis e taxa de exportação zero para este tipo de veículo, ilustra perfeitamente a flexibilidade e a capacidade de adaptação que as montadoras precisam ter hoje. Esse movimento estratégico impacta diretamente a precificação final do Ford Everest no Brasil, tornando-o mais competitivo contra rivais estabelecidos. A análise detalhada desses custos de produção e da tributação automotiva na região é um exercício constante para qualquer executivo que almeje sustentabilidade a longo prazo.

A Confirmação Inabalável: Por Que o Ford Everest no Brasil é Irreversível?
Apesar dos desafios de produção, Galdeano foi veemente em garantir que o Ford Everest no Brasil é uma prioridade. “Muitos clientes querem o Everest no Brasil. Eu quero este SUV no Brasil […]. Fiquem tranquilos, pois estamos trabalhando para isso”, afirmou o executivo. Essa declaração não é apenas retórica; ela reflete uma demanda reprimida e um vácuo no portfólio da Ford que precisa ser preenchido.
O mercado de SUVs de sete lugares no Brasil tem demonstrado uma resiliência e um crescimento notáveis, mesmo diante de cenários econômicos adversos. A Toyota SW4, um player dominante, é a prova viva de que há um público fiel e disposto a investir em veículos robustos, capazes e com bom espaço interno. A chegada do Ford Everest no Brasil representa, portanto, não apenas o lançamento de um novo modelo, mas um reposicionamento estratégico da Ford nesse segmento premium e aventureiro. A marca reconhece a importância de oferecer uma alternativa moderna e tecnologicamente avançada para disputar uma fatia desse bolo lucrativo.
Anatomia do Ford Everest: O Que Esperar?
O Ford Everest é, em sua essência, o SUV derivado da picape Ranger, compartilhando não apenas a robustez da plataforma, mas também muitos elementos de design e tecnologia interna. Com uma pegada aventureira marcante e um design imponente, o veículo promete se destacar visualmente. As versões 4×4, que são a espinha dorsal de sua oferta em outros mercados, devem ser o foco principal do Ford Everest no Brasil, atendendo diretamente ao público que busca capacidade off-road aliada ao conforto familiar.
Opções de Motorização: Uma Decisão Crucial para o Consumidor Brasileiro
Um dos pontos mais debatidos e aguardados em relação ao Ford Everest no Brasil é a escolha das opções mecânicas. Em mercados como a Argentina, o Everest é oferecido com um motor 2.3 Ecoboost turbo a gasolina, que entrega impressionantes 300 cv. Este motor, embora potente, não faz parte do catálogo da Ranger brasileira, que está restrita às motorizações diesel.
Minha visão como especialista aponta para uma estratégia mais prudente e alinhada ao perfil do consumidor de SUVs grandes no Brasil: a oferta do motor V6 3.0 turbodiesel da própria Ranger, com 250 cv e 61 kgfm de torque. Essa motorização já é conhecida e aprovada no mercado nacional, oferece o torque e a economia de combustível esperados de um SUV desse porte e tem uma aceitação muito maior no segmento premium de SUVs derivados de picape. Essa opção já existe em outros mercados, como Ásia, Oceania e Oriente Médio, facilitando sua importação e homologação.\

No entanto, há rumores de que a Ford também estuda a possibilidade de lançar o Ford Everest no Brasil com a configuração a gasolina vista na Argentina. Embora um motor a gasolina potente possa atrair um nicho de mercado, a realidade do custo do combustível no Brasil e a preferência por diesel em veículos 4×4 de grande porte tornam a opção a diesel a mais sensata para a maioria dos consumidores. A transmissão automática de dez marchas, compartilhada com a Ranger, e a tração 4×4 com bloqueio e reduzida, são diferenciais que consolidam a proposta de robustez e capacidade do Everest. A escolha do powertrain certo é uma análise de viabilidade complexa, que envolve desde o custo de homologação até a percepção de valor do cliente final.
O Campo de Batalha dos SUVs de 7 Lugares: Concorrência e Posicionamento
Quando o Ford Everest no Brasil finalmente chegar, ele entrará em um ringue já bem estabelecido e competitivo. Seus principais adversários serão:
Toyota SW4: O líder incontestável da categoria. Com uma reputação de confiabilidade inabalável, robustez e uma extensa rede de concessionárias, o SW4 define o padrão no segmento. Seus preços, na faixa de R$ 424.590 a R$ 475.990 (valores atualizados para 2025), mostram o patamar de investimento que o consumidor está disposto a fazer. O Everest terá de oferecer um pacote de valor superior para desafiar essa hegemonia, apostando em tecnologia, design moderno e um pacote de segurança mais completo.
Chevrolet Trailblazer: Outro competidor de peso, também derivado de picape (a S10). O Trailblazer oferece um conjunto robusto e bom espaço interno, sendo uma alternativa interessante.
GWM Haval H9: Um estreante de peso, o Haval H9, da chinesa Great Wall Motors, chega com uma proposta de luxo SUV e tecnologia embarcada a um preço mais agressivo, na casa dos R$ 319.990. Este novo player demonstra a crescente sofisticação do mercado e a chegada de marcas disruptivas que podem balançar as estruturas.
Outros SUVs Premium: Em um patamar ligeiramente superior ou com propostas diferentes, existem também outros SUVs de luxo que, em certas configurações, podem tangenciar o público do Everest, como modelos da Land Rover ou até mesmo opções europeias que se beneficiam de uma demanda por desempenho SUV e status.
O Ford Everest no Brasil precisará de um posicionamento de mercado muito claro. Sua plataforma e cabine idênticas às da Ranger, mas com dimensões ligeiramente mais compactas (4,91 metros de comprimento, 2,90 m de distância entre eixos) que o tornam maior que SW4 e Trailblazer em entre-eixos, conferem-lhe uma vantagem em espaço interno sem comprometer a agilidade urbana. A capacidade do porta-malas, de 259 litros com sete passageiros e impressionantes 898 litros com a terceira fileira rebatida, é um trunfo significativo para famílias grandes e aventureiros. O luxo SUV e o desempenho SUV serão atributos essenciais para conquistar a preferência.
A Estratégia da Ford para 2025 e Além: Um Olhar Macro
A decisão de trazer o Ford Everest no Brasil, mesmo com as complexidades da importação, se encaixa em uma estratégia maior da Ford para a América do Sul. Desde a reestruturação de suas operações e o foco em veículos de maior valor agregado, como picapes e SUVs, a empresa tem buscado consolidar sua presença em segmentos mais lucrativos. O Everest é um pilar importante nessa estratégia.
A Ford prometeu 20 lançamentos no Brasil até 2027, e o Everest é parte integrante desse plano de renovação e expansão de portfólio. A homologação do veículo é um processo complexo e demorado, que envolve inúmeros testes e adaptações às regulamentações locais, mas a insistência da Ford em superar esses obstáculos reforça o potencial que a marca enxerga no Ford Everest no Brasil.
Além do produto em si, a Ford precisa fortalecer seu pós-venda Ford, garantindo que a experiência do cliente seja impecável desde a compra até a manutenção. Em um mercado onde a confiabilidade é tão valorizada, um excelente serviço é um diferencial competitivo. A estratégia de mercado da Ford para os próximos anos dependerá não apenas da qualidade de seus veículos, mas também da percepção de valor e do suporte que oferece aos seus clientes. O investimento automotivo em novas tecnologias e na digitalização dos serviços também será crucial.
Desafios e Oportunidades no Horizonte de 2025
O lançamento do Ford Everest no Brasil não está isento de desafios. Além da homologação, a Ford terá que enfrentar a concorrência acirrada, a volatilidade econômica do país e as constantes flutuações cambiais que impactam diretamente os veículos importados. A percepção do consumidor sobre a marca, após a reestruturação e o fechamento de fábricas no Brasil, também é um fator a ser gerido.
No entanto, as oportunidades são igualmente significativas. O mercado de SUVs continua em expansão, e a demanda por veículos versáteis que combinem o conforto de um carro de passeio com a capacidade de um off-road é crescente. A força da marca Ford, ainda que com um portfólio mais enxuto, é inegável, e a lealdade de seus clientes é um ativo valioso. O Ford Everest no Brasil pode capitalizar essa lealdade, oferecendo um produto que atenda às expectativas de robustez, tecnologia e espaço.
A incorporação de tendências para 2025, como maior conectividade, sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) e, eventualmente, opções de motorização híbrida ou flex para o futuro, pode posicionar o Everest como um veículo à frente de seu tempo, mesmo em um segmento tradicionalmente conservador. A análise de viabilidade para essas tecnologias será contínua, visando sempre aprimorar a proposta de valor do Ford Everest no Brasil.
Conclusão: Um Futuro Promissor para o SUV Aventureiro da Ford
O caminho para o lançamento do Ford Everest no Brasil tem sido tortuoso, marcado por decisões estratégicas complexas e a necessidade de se adaptar a um ambiente de negócios desafiador. A desistência da produção argentina em favor da importação da Tailândia é um testemunho da sagacidade e pragmatismo exigidos no cenário automotivo atual.
Contudo, a confirmação inabalável de sua chegada sublinha a importância estratégica que a Ford atribui a este SUV de 7 lugares no mercado brasileiro. Com sua herança robusta da Ranger, seu design moderno e as opções de motorização potentes, o Everest tem todos os ingredientes para se tornar um forte concorrente no segmento, desafiando a liderança estabelecida e cativando um público ávido por um veículo que combine aventura, conforto e tecnologia.
Acompanhar a jornada do Ford Everest no Brasil será fascinante. Para os consumidores que buscam um SUV completo, capaz de encarar tanto a selva urbana quanto os desafios off-road, a espera certamente valerá a pena. Se você está pensando em adquirir um SUV de 7 lugares nos próximos anos e valoriza a robustez, tecnologia e um design marcante, convidamos você a entrar em contato com a Ford e expressar seu interesse. Sua próxima grande aventura pode estar mais perto do que você imagina, e o Ford Everest no Brasil está pronto para levá-lo lá.

